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Plataforma exchange

Irina Barannik esteticista
«Nos primeiros dois anos em Portugal tive muitas dificuldades, muita depressão. Quando não sabes a língua, quando queres trabalhar e não consegues perceber… Chorei todos os dias. Mas, depois, foi cada vez melhor, comecei a gostar mais. Neste momento já tenho muitos clientes que gostam de mim e também gosto muito deles.»

Para poder pagar o curso de esteticista, trabalhou numa loja de telemóveis e na limpeza de obras. Quando chegou a Portugal ligava muitas vezes à mãe a dizer que queria voltar.

No início de 2015, depois de cinco anos a trabalhar num cabeleireiro, juntou-se a uma amiga e montou o seu próprio gabinete de estética. Sempre quis construir algo “diferente” e “maior”. As clientes ofereceram-lhe um frigorífico, uma televisão e até rebuçados. Lá para o final do ano, espera já ter tudo ao seu gosto.

 

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    Kessy e Zurire Unzeta bijutaria
    «Foi a minha mãe que me disse que existia um sistema de microcrédito. Pediram-me um plano de negócios e em um, dois meses, deram-me o empréstimo. A maior dificuldade no princípio foi a juventude. Quando não tens experiência, há mais tendência para cometer erros que custam dinheiro. As perdas de dinheiro com os nossos erros são o pagamento da universidade da vida.»

    Na loja de Kessy e Zurire tudo é feito à mão. Além de uma paixão da adolescência, as duas irmãs encontraram na bijutaria artesanal uma alternativa ao que já existia no mercado. Com a ajuda da mãe, as poupanças que tinham e o recurso ao microcrédito abriram a primeira loja da Missangas & Companhia, no Chiado, em Lisboa.

    Hoje contam já com quatro estabelecimentos mas garantem que o início não foi fácil: trabalhavam dia e noite só para pagar as despesas, sem poderem tirar um ordenado para si.  A idade fez com que muitos não as levassem a sério ou as tentassem enganar, mas, quando olham para trás, garantem sentir-se orgulhosas.

     

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    Cuka Linck
    «Estava em Letras, o terceiro curso universitário que tentava terminar, mas o mundo académico não encaixava muito comigo. Sempre imaginei uma coisa mais prática. Vi que a cozinha era aquilo que podia levar comigo na mala, era a minha paixão.»

    Cuka começou a cozinhar no dia em que se tornou vegetariana. Depois disso, desistiu da universidade, criou um coletivo e fez das panelas o seu instrumento de trabalho. Sempre quis saber mais, experimentar mais e quando imigrou para Portugal percebeu que poderia viver com o dinheiro que ganhava como cozinheira.

    Ter um plano, atitude e insistir são os seus segredos para o sucesso que, garante, não surge, constrói-se. Faz parte do grupo Ecosol – uma moeda social  baseada em trocas que se integra no movimento das Finanças Sociais e Solidárias – e sempre que pode compra os alimentos diretamente ao produtor.

     

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    Orlanda Barbosa
    «Cheguei a Portugal com 14 anos. Fui primeiro empregada de limpeza, costureira, governanta,  jardineira, telefonista e agora sou cozinheira. Quando pensei em abrir o restaurante a maior dificuldade era não ter dinheiro.  Fizeram-me tudo à base da confiança, ninguém me pediu dinheiro adiantado e foi assim que consegui. Muita gente teve ajudas do banco, eu não. As instituições não acreditaram no meu projeto.»

    Há muitos anos que Orlanda sonhava montar um restaurante onde pudesse, ao mesmo tempo, cozinhar e divulgar a cultura do seu país, Moçambique. Quando decidiu largar o emprego na função pública, não esperava que os bancos lhe negassem um empréstimo.

    As instituições não acreditaram no seu projeto mas as pessoas sim: aceitaram que o aluguer e as obras do restaurante só fossem pagas quando este começasse a faturar. Hoje quase nunca sobram mesas vazias, mas os desafios continuam a ser muitos: tratar da burocracia, das contas para pagar, são processos que Orlanda desconhecia e com os quais ainda tem dificuldade em lidar.

     

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    Caroline Prüfer
    «Querer demonstrar o que ainda não é provado, o que não tem resultados visíveis, é a primeira dificuldade. No momento em que temos a liberdade de desenvolver, de criar e de sentir que está na nossa mão aquilo que pode ser a nossa profissão, o nosso orgulho, o nosso propósito de vida, acho que é muito difícil pensar em trabalhar para outra pessoa.»

    Para arrancar com uma empresa de serviços, Caroline reconhece que, mais do que dinheiro, o tempo é o principal investimento: a dedicação, a vontade e o empenho pessoal dos profissionais são o que fazem a diferença.

    Para se ter sucesso, defende, é preciso conhecer o mercado e direcionar o rumo da empresa em função das necessidades e não apenas de uma paixão.

     

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    Alexandra Pardal
    «Para criar esta loja tivemos de pensar em recorrer a crédito. Quando se está desempregado é a maneira mais fácil ou, se calhar, a única opção. Na montagem, recorremos à natureza, à reutilização de materiais. Eu e o meu marido montámos a loja sozinhos e minimizámos muito o custo, o que deu para investir no stock inicial.»

    Quando ficou desempregada, Alexandra descobriu que em Portugal não existia nenhuma loja que só vendesse calçado sem pele. Encontrou no nicho de negócio o caminho que procurava e aliou-o a uma preocupação antiga: a proteção da natureza. Como não tinha dinheiro para abrir a loja, recorreu ao microcrédito, “a única solução” que encontrou.

    Dedica mais horas ao trabalho hoje do que quando tinha um chefe, mas a liberdade de poder ser dona das suas rotinas é incomparável. Tomar o pequeno-almoço com as filhas e poder levá-las à escola são duas das atividades de que não abdica na sua nova vida.

     

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    Filomena Djassi empreendedora
    «Pessoas que nascem em contextos mais desfavorecidos, das duas uma: ou estudam muito ou criam. Tive a sorte de conseguir fazer as duas coisas. Não sou empreendedora em termos de criar um negócio ou gerar imenso rendimento mas contribuo para uma sociedade com melhores valores. Considero-me empreendedora por ser uma pessoa que cria.»

    Para Filomena ser empreendedor é criar algo, que não tem necessariamente de ser um negócio gerador de rendimento. Considera-se empreendedora porque não consegue ficar parada, gosta de estar sempre a estudar, o seu vício é saber mais.

    Ao trabalho na Fundação Aga Khan, soma um doutoramento e lidera vários projetos de ação social. Trabalha sobretudo com comunidades imigrantes a quem quer dar voz, fazendo-as apoderar-se dos contextos onde vivem e orgulhar-se das suas raízes. Dar palco aos outros e deixá-los tomar as rédeas do que criou é o seu grande desafio enquanto líder.

     

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    Nicole Souto bijuteria
    «Decidi ser trabalhadora independente devido à dedicação que posso dar à minha família. Quando o meu primeiro filho nasceu, não pude tirar licença de maternidade porque tinha trabalho para entregar. Ficou um ligeiro sentimento de culpa, então procurei, de alguma forma, estar mais presente.»

    A crise fez Nicole desistir da empresa de web design que geria com o marido e obrigou-a a procurar novos desafios. Como não arranjou trabalho, decidiu dedicar-se a uma ideia antiga: desenhar bijuteria com materiais antialérgicos. Confessa que se tivesse uma veia mais comercial, a Beija-Flor já poderia ser uma empresa maior.

    Para compor o orçamento familiar, também trabalha como fotógrafa e dá uma ajuda na imobiliária do cunhado. É uma mulher cheia de ofícios e esse é o seu grande desafio: conciliar as muitas horas de trabalho e as tarefas pendentes com a gestão da vida familiar.

     

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     Maria del Carmen Mellado costura
    «A vida obrigou-nos a parar com o consumismo e a criar a partir do que já temos: houve uma altura em que não tinha dinheiro para comprar fraldas para a minha filha e comecei a costurá-las, sacrificando lençóis, toalhas e panos velhos.»

    Aos 40 anos, uma gravidez inesperada mudou a vida de Carmen. A vontade de ter tempo para a filha, de a ver crescer de perto, fê-la apostar num projeto de tricô livre de horários. Começou por vender peças em mercados de rua e hoje tem um sonho: criar a sua própria escola de costura.

    Força de vontade e persistência estão impressas no seu discurso. Os irmãos ofereceram-lhe uma “máquina de costura de brincar”, como lhe chama, e os vizinhos levam-lhe tecidos e linhas para poder trabalhar. Sabe que o que deseja se constrói por etapas e, às vezes, também se sente desmotivada. Apesar disso, “não vou desistir” é a frase que mais repete.

     

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    O que é ser empreendedora?

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