
Para poder pagar o curso de esteticista, trabalhou numa loja de telemóveis e na limpeza de obras. Quando chegou a Portugal ligava muitas vezes à mãe a dizer que queria voltar.
No início de 2015, depois de cinco anos a trabalhar num cabeleireiro, juntou-se a uma amiga e montou o seu próprio gabinete de estética. Sempre quis construir algo “diferente” e “maior”. As clientes ofereceram-lhe um frigorífico, uma televisão e até rebuçados. Lá para o final do ano, espera já ter tudo ao seu gosto.
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Na loja de Kessy e Zurire tudo é feito à mão. Além de uma paixão da adolescência, as duas irmãs encontraram na bijutaria artesanal uma alternativa ao que já existia no mercado. Com a ajuda da mãe, as poupanças que tinham e o recurso ao microcrédito abriram a primeira loja da Missangas & Companhia, no Chiado, em Lisboa.
Hoje contam já com quatro estabelecimentos mas garantem que o início não foi fácil: trabalhavam dia e noite só para pagar as despesas, sem poderem tirar um ordenado para si. A idade fez com que muitos não as levassem a sério ou as tentassem enganar, mas, quando olham para trás, garantem sentir-se orgulhosas.
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Cuka começou a cozinhar no dia em que se tornou vegetariana. Depois disso, desistiu da universidade, criou um coletivo e fez das panelas o seu instrumento de trabalho. Sempre quis saber mais, experimentar mais e quando imigrou para Portugal percebeu que poderia viver com o dinheiro que ganhava como cozinheira.
Ter um plano, atitude e insistir são os seus segredos para o sucesso que, garante, não surge, constrói-se. Faz parte do grupo Ecosol – uma moeda social baseada em trocas que se integra no movimento das Finanças Sociais e Solidárias – e sempre que pode compra os alimentos diretamente ao produtor.
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Há muitos anos que Orlanda sonhava montar um restaurante onde pudesse, ao mesmo tempo, cozinhar e divulgar a cultura do seu país, Moçambique. Quando decidiu largar o emprego na função pública, não esperava que os bancos lhe negassem um empréstimo.
As instituições não acreditaram no seu projeto mas as pessoas sim: aceitaram que o aluguer e as obras do restaurante só fossem pagas quando este começasse a faturar. Hoje quase nunca sobram mesas vazias, mas os desafios continuam a ser muitos: tratar da burocracia, das contas para pagar, são processos que Orlanda desconhecia e com os quais ainda tem dificuldade em lidar.
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Para arrancar com uma empresa de serviços, Caroline reconhece que, mais do que dinheiro, o tempo é o principal investimento: a dedicação, a vontade e o empenho pessoal dos profissionais são o que fazem a diferença.
Para se ter sucesso, defende, é preciso conhecer o mercado e direcionar o rumo da empresa em função das necessidades e não apenas de uma paixão.
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Quando ficou desempregada, Alexandra descobriu que em Portugal não existia nenhuma loja que só vendesse calçado sem pele. Encontrou no nicho de negócio o caminho que procurava e aliou-o a uma preocupação antiga: a proteção da natureza. Como não tinha dinheiro para abrir a loja, recorreu ao microcrédito, “a única solução” que encontrou.
Dedica mais horas ao trabalho hoje do que quando tinha um chefe, mas a liberdade de poder ser dona das suas rotinas é incomparável. Tomar o pequeno-almoço com as filhas e poder levá-las à escola são duas das atividades de que não abdica na sua nova vida.
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Para Filomena ser empreendedor é criar algo, que não tem necessariamente de ser um negócio gerador de rendimento. Considera-se empreendedora porque não consegue ficar parada, gosta de estar sempre a estudar, o seu vício é saber mais.
Ao trabalho na Fundação Aga Khan, soma um doutoramento e lidera vários projetos de ação social. Trabalha sobretudo com comunidades imigrantes a quem quer dar voz, fazendo-as apoderar-se dos contextos onde vivem e orgulhar-se das suas raízes. Dar palco aos outros e deixá-los tomar as rédeas do que criou é o seu grande desafio enquanto líder.
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A crise fez Nicole desistir da empresa de web design que geria com o marido e obrigou-a a procurar novos desafios. Como não arranjou trabalho, decidiu dedicar-se a uma ideia antiga: desenhar bijuteria com materiais antialérgicos. Confessa que se tivesse uma veia mais comercial, a Beija-Flor já poderia ser uma empresa maior.
Para compor o orçamento familiar, também trabalha como fotógrafa e dá uma ajuda na imobiliária do cunhado. É uma mulher cheia de ofícios e esse é o seu grande desafio: conciliar as muitas horas de trabalho e as tarefas pendentes com a gestão da vida familiar.
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Aos 40 anos, uma gravidez inesperada mudou a vida de Carmen. A vontade de ter tempo para a filha, de a ver crescer de perto, fê-la apostar num projeto de tricô livre de horários. Começou por vender peças em mercados de rua e hoje tem um sonho: criar a sua própria escola de costura.
Força de vontade e persistência estão impressas no seu discurso. Os irmãos ofereceram-lhe uma “máquina de costura de brincar”, como lhe chama, e os vizinhos levam-lhe tecidos e linhas para poder trabalhar. Sabe que o que deseja se constrói por etapas e, às vezes, também se sente desmotivada. Apesar disso, “não vou desistir” é a frase que mais repete.
